domingo, 10 de maio de 2015

Bullying e Preconceito

           Na segunda-feira passada os alunos do 5° ano da Escola Terra do Saber de Palotina apresentaram um trabalho que havia sido proposto a eles há algumas semanas e que foi o encerramento de um projeto que durou cerca de dois meses. Este projeto tinha o objetivo principal de fazê-los conhecer e refletir sobre os dois fenômenos sociais que dão nome a este post.
            Preconceito e Bullying não são a mesma coisa, e nem sempre caminham juntos, porém ambos são motivados pelo desrespeito e pelo ódio, assim como produzem violência física e psíquica. 
            O trabalho que foi proposto e do qual dizem respeito as fotos que vocês podem ver, consistia em pedir que os alunos, individualmente ou em grupo, pesquisassem alguma notícia recente que envolvesse preconceito e a analisassem através da resposta para perguntas como:
* É possível perceber o agressor e a vítima?
* De que tipo de preconceito se trata o fato?
* Por que existe este preconceito?
* No lugar da vítima o que você faria?
E etc.
            Para concluir, fiquei bastante impressionada com o nível de discussão que houve a cada apresentação, e percebi que os alunos puderam realmente fazer um juízo adequado dos temas, e reforçar a prática do respeito às diferenças, sejam elas quais forem.

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Jogo: Entendendo e Reduzindo os PALAVRÕES



              Na semana passada idealizei, confeccionei e apliquei uma intervenção com o objetivo de solucionar os problemas que palavrões causam na escola.
              Normalmente, em uma antecipação da pré-adolescência o uso destas palavras que consideramos vulgares e desnecessárias pode se tornar recorrente, e quanto mais este comportamento é reprimido mais ele vai se repetir nesta fase.
              Por isso, criei um jogo com nome de "Jogo das Palavras", no qual coloquei de uma cor os palavrões e em outra cor o significado de cada um deles... Primeiramente deixei o aluno manipular as cartinhas dos palavrões e observei a reação dele. Num segundo momento expliquei que aquelas palavras não eram adequadas, e que não representavam a raiva que muitas vezes buscamos expressar com o uso delas, e apresentei as cartas que continham o significado das mesmas, pedindo que ele as separasse encontrando o significado de cada uma.  
              Neste último momento foi possível conversar abertamente sobre o que os palavrões que estavam sendo utilizados por ele com frequência significavam, bem como trocá-las por palavras e comportamentos assertivos em momentos de raiva e frustração.

sexta-feira, 20 de março de 2015

Chupeta e Mamadeira? Por que e até quando???

      Até completar três anos as crianças tem necessidades emocionais que envolvem vias orais. Elas colocam tudo o que vêem na boca, normalmente só aceitam o leite na mamadeira e recorrem a chupeta para se acalmar. Isto ocorre porque suas primeiras experiências sensoriais se dão pela boca, como por exemplo o alimento materno que é o primeiro contato da criança com o mundo externo. 
      No entanto até os 3 anos as crianças não percebem esta divisão, entre elas e este mundo externo, e por isso necessitam estender esta necessidade a objetos como chupeta e mamadeira por exemplo. 
      Porém se seu filho(a) já fez 3 anos, ele não necessita mais destes artifícios e eles tornam-se empecilhos para o seu desenvolvimento. Sendo assim, uma ótima maneira de ajudá-lo a superar esta fase é utilizando-se deste tempo de Páscoa... 
      Conte a ele(a) que o Coelhinho busca as chupetas e mamadeiras e por isso ele é dentuço, faça um ninho, deixe-o fazer um desenho e transcreva como ele gostaria que o Coelho da Páscoa cuidasse de suas coisas, e vá o preparando... Não imponha, mas trate isto como um fato sobre o qual não se pode fazer nada e às vésperas do grande dia faça a troca pelo ovo que o Coelhinho traria.
      Depois me conte como foi, por que já funcionou várias vezes!!

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Bodas de Flores e Frutas



              Há exatamente 4 anos, depois de um namoro intenso e que ocupava uma parte considerável do meu tempo, o juiz de paz que neste caso era o representante do Reitor da Universidade Paranaense casou-me com a Psicologia.
              No outro dia foi a grande festa, lá tive a oportunidade de escrever e ler as homenagens, e meu texto tinha o intuito de responder à seguinte pergunta: "Quando foi que me tornei Psicóloga?" Me tornei Psicóloga e me torno a cada dia através de cada exercício da profissão, de cada conversa, de cada atendimento, de cada observação, de cada descoberta sobre algum indivíduo e seria impossível listar e agradecer aqui a tudo o que todos os dias me ensina!! 


              Hoje fazemos Bodas de Flores e Frutas, há um longo caminho pela frente, que há de ser trilhado com o mesmo amor e o mesmo esforço que me acompanharam até aqui!

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Reunião de Profes - Começo do ano

         
            Nas duas últimas semanas, três escolas guardaram um momento da Semana Pedagógica para tratar de assuntos relacionados à Psicologia Escolar. Embora cada reunião tenha sido encaminhada de modo diferente a dinâmica principal se repetiu...
             Para que não ficasse massante em formato de palestra elaborei um jogo. Os grupos foram divididos em três subgrupos e a cada um foram dadas três afirmações e uma pergunta. Estas, levaram à discussão e reflexão sobre temas como Adaptação, Comportamento, Dificuldades de Aprendizagem e o Papel da Escola na Sociedade Contemporânea. 
              As afirmações eram analisadas pelo grupo que deveria responder se elas eram Verdadeiras ou Falsas, e justificar a sua resposta remetendo ao debate sobre os temas. Com relação a pergunta, da mesma forma, o grupo precisava refletir e responder.
              Quando a resposta estava certa o grupo recebia um pedaço de um quebra-cabeça, que montado nos remeteu à três palavras que precisam nortear o trabalho na escola. 


                Porém o quebra-cabeça só se montaria se juntássemos as peças, e as forças dos três grupos. Com esta analogia falei não só apenas da importância de cada uma das palavras, mas também do quanto é essencial que o grupo todo trabalhe unido e como uma equipe para que todos os alunos ganhem e consequentemente a escola ganhe também!
                 Para finalizar utilizei-me de uma historinha para ressaltar a importância de se compartilhar aquilo que é e que sabe, e compartilhamos balinhas confetes dentro desta lembrancinha confeccionada por mim!

domingo, 25 de janeiro de 2015

Infantolatria = Idolatria às crianças

           
           As atividades da família são definidas em função dos filhos, assim como o cardápio de qualquer refeição. As músicas ouvidas no carro e os programas assistidos na televisão precisam acompanhar o gosto dos pequenos, nunca dos adultos. Em resumo, são as crianças que comandam o que acontece e o que deixa de acontecer em casa. Quando isso acontece e elas já têm mais de dois anos de idade, é hora de acender uma luz de alerta. Eis aí um caso de infantolatria.
           “O processo de mudança nos conceitos de família iniciado no século 18 por Jean-Jacques Rousseau [filósofo suíço, um dos principais nomes do Iluminismo] chegou ao século 20 com a ‘religião da maternidade’, em que o bebê é um deus e a mãe, uma santa. Instituiu-se o que é uma boa mãe sob a crença de que ela é responsável e culpada por tudo que acontece na vida do filho, tudo que ele faz e fará. Muitos afirmam que a mulher venceu, pois emancipou-se e foi para o mercado de trabalho, mas não: é a criança que entra no século 21 como a vitoriosa. Esta é a semente da infantolatria”, explica a psicanalista Marcia Neder, pesquisadora do Núcleo de Pesquisa de Psicanálise e Educação da Universidade de São Paulo (Nuppe-USP) e autora do livro “Déspotas Mirins – O Poder nas Novas Famílias”, da editora Zagodoni.
            Em poucas palavras, Marcia define infantolatria como “a instituição da mãe como súdita do filho e o adulto se colocando absolutamente disponível para a criança”. E exime os pequenos de qualquer responsabilidade sobre o quadro: “Um bebê não tem poder para determinar como será a dinâmica familiar. Se isso acontece, é porque os pais promovem”.
A verdade é que existe um período em que os filhos podem reinar na família, mas ele é curto. “Quando o bebê nasce e chega em casa, precisa ser colocado no centro das ações, pois precisa ser decifrado, entendido. Ele deve perder o trono no final do primeiro, no máximo ao longo do segundo ano de vida, para entender que existe o outro, com necessidades e vontades diferentes das dele”, esclarece Vera Blondina Zimmermann, psicóloga do Centro de Referência da Infância e Adolescência da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
A infantolatria ganha espaço quando os pais não sabem ou não conseguem fazer essa adequação da criança à realidade que a cerca e a mantêm no centro das atenções por tempo indefinido. “Em uma família com relacionamento saudável, o filho entra e tem que ser adaptado à dinâmica da casa, à rotina dos adultos”, afirma a psicóloga.
              Na casa da analista contábil Paula Torres, é ao redor de Luigi, de cinco anos, que tudo acontece. Entre os privilégios do garoto estão definir o canal em que a TV fica ligada e o dia do fim de semana em que será servida pizza no jantar. “Acho importante a criança se sentir amada e saber que suas vontades são relevantes para a família”, opina.
Ela conta que seu marido, o também analista contábil Luiz André Torres, não gosta muito disso e constantemente reclama que o filho é mimado demais. “Mas bato o pé e defendo essa proteção. Quando o Luigi crescer, será mais seguro para lidar com os adultos, já que suas opiniões são levadas em consideração pelos adultos com quem ele convive desde já”, acredita.
Não é o que as especialistas dizem. “Se o filho fica no nível dos pais, acaba criando para si uma falsa sensação de poder e autonomia que, em um momento mais adiante, se traduzirá em uma profunda insegurança. Ele sentirá a falta de uma referência forte de segurança de um adulto em sua formação”, explica Vera.
“Em uma família com relacionamento saudável, o filho entra e tem que ser adaptado à dinâmica da casa, à rotina dos adultos”
             Marcia diz ainda que, ao chegar à idade adulta, esse filho cobrará os pais. “Ele olhará ao redor e verá outras pessoas se realizando independentemente dele. A criança que acha que o mundo tem que parar para ela passar não consegue imaginar isso acontecendo e não está preparada para lidar com a mínima das frustrações. Em algum ponto, acusará os pais de terem sido omissos”.
Para Vera, supervalorizar os pequenos e nivelá-los aos adultos “é o resultado de uma projeção narcísica dos pais nos filhos, que se veem nas qualidades que enxergam em suas crianças”. Marcia concorda: “Isso tudo tem a ver com a vaidade da mãe, que considera aquele filho uma parte melhorada dela própria e, por isso, a criatura mais importante do mundo”.
               Muitas vezes, os pais não se dão conta de que estão tratando os filhos como reis ou rainhas, então precisam levar uns chacoalhões da realidade fora de suas casas. “Eles geralmente caem em si quando começa a sociabilização. A escola reclama porque o aluno não respeita as regras, a criança tem dificuldade para fazer amiguinhos porque as outras, com autoestima positiva, não querem ficar perto de alguém que ache que manda em todos”, aponta Vera.
“Em um futuro bem imediato, as reações dos colegas podem fazer a criança perceber que precisa mudar. Ela se comportará com eles como faz com a família e receberá a não-aceitação como resposta. Terá de lidar com isso para ter amigos”, afirma Marcia.
               Mesmo assim, ela ainda correrá o risco de não conseguir rever seus comportamentos devido a uma superproteção parental, adverte Vera: “Em alguns casos dá para ela se salvar, mas muitos pais preferem culpar o ‘mundo injusto com seu filho perfeito’, o que impede que ela entenda as necessidades dos outros e reforça seus problemas de inadequação para a adaptação social”.
Além de todas as complicações causadas pela infantolatria na vida dos filhos, ela prejudica – e muito – o casal que a promove. “Na relação saudável, o casal continua sendo o mais importante na família mesmo com a chegada da criança. Se os pais mantêm o filho no centro por mais tempo do que o necessário, acabarão se afastando”, alerta Vera.
              “Some o casal. O ‘marido’ e a ‘mulher’ passam a ser o ‘pai’ e a ‘mãe’. E se em uma casa a mãe é a santa e o filho é o deus, onde fica o espaço do pai?”, questiona Marcia. “Muitos tentam entrar, reconquistar seu espaço, mas outros simplesmente caem fora”, constata.
Sabendo disso tudo, os pais têm condições de se preparar para evitar os estragos na criação dos filhos. Marcia conta que percebe que as pessoas têm encontrado em sua análise uma saída para a tirania infantil.
           “Não sou adivinha, mas creio que o novo arranjo familiar, em que os pais também assumem funções na criação dos filhos e as mães seguem carreiras por prazer, vá ajudar a mudar o panorama, assim como os arranjos homoparentais que começam a ser mais comuns”, diz, para complementar: “Creio que todos os comportamentos continuarão existindo, mas temos a obrigação de trabalhar para reverter esse quadro. O filho não é o centro porque quer, mas porque o adulto permite”.
          Vera enxerga o futuro da situação de forma um pouco diferente. “Nossa sociedade é muito apressada e, no geral, não dá espaço para a preocupação com o outro. Isso tende a potencializar esse tipo de problema, a naturalizar para a criança o fato de que ela é o que mais importa, como aprendeu em casa com o comportamento dos pais em relação a ela”, finaliza.

Texto de Raquel Paulino